Atualizado 14/06/2017 - 13:10

Depoimento de Budel confirma esquema de corrupção no governo Reni Pereira

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 “Em uma oportunidade os empreiteiros me entregaram dinheiro na ponte do Rio Boicy, em outra em frente ao Motel Play Time”

“Boa parte do que foi repassado durante o período em que estive na secretaria, saiu de medições superfaturadas do tapa buracos”.

“O dinheiro vinha em mochilas, uma vez veio em uma sacola branca, mas era entregue sempre dentro de veículos”

“O prefeito Reni estava de cabelo arrepiado. O prazo para entrega dos documentos estava no fim”

 

O depoimento de Budel foi por meio de videoconferência perante a Justiça Federal. Budel estava em Curitiba. O procurador Alexandre Porciúncola e os advogados de defesa de Reni espremeram Budel de todos os lados e ele revelou coisas do arco da velha. Foram várias horas de conversa que totalizaram 45 mil caracteres. Vejam os trechos principais:

Juiz – O senhor assinou um termo de colaboração premiada com o Ministério Público e se comprometeu a comparecer, todas as vezes que fosse chamado, em Juizo, o senhor se comprometeu a relatar a verdade (....) sob pena da revogação desse acordo.

Budel – Estou consciente.

Alexandre Porciúncola, procurador da República - Qual foi a sua participação na campanha do candidato Reni Pereira?

Budel – Eu fazia parte do PSDB que compôs a chapa majoritária para as eleições de 2012. Eu era vereador e candidato à reeleição e participei da campanha que elegeu o senhor Reni Pereira.

Porciúncola – Havia uma promessa de cargo ao senhor no governo Reni Pereira?

Budel – Como todo o processo político de composição, prevê uma participação política no governo, isso é em todos os níveis. Nessa eleição, além do PSDB, outros partidos fizeram parte da aliança política. O PSDB participou e havia um compromisso político, além da vice, Ivone Barofaldi, de que o PSDB seria contemplado com algumas secretarias. No meu caso existia um compromisso inicial de eu assumir a Secretaria de Obras, mas por motivos políticos não assumi em janeiro de 2013 e fui chamado a ser secretário de Governo em março daquele ano.

Porciúncola – Houve algum motivo especial para o prefeito convidá-lo a assumir esse posto?

Budel – O Reni e a Ivone me fizeram o convite em função da dificuldade que o prefeito tinha com a Câmara de Vereadores, para ele administrar e ter alguém que fizesse esse papel, por eu ter experiência no Legislativo e no Executivo, uma vez que eu estive nos dois lados e conheço a relação entre Executivo e Legislativo.

Porciúncola – Posteriormente o senhor ocupou outros cargos no governo Reni?

Budel – Eu assumi a secretaria de Governo em março de 2013 e fui até meados de 2014, quando o prefeito me convidou para assumir a Superintendência do Foztrans e fiquei até o momento da minha exoneração que ocorreu quando da minha prisão em maio. Só que a partir de 23 de novembro de 2015 eu acumulei a Secretaria de Obras.

Porciuncola – Houve uma reunião no Foztrans: gostaria de saber se o senhor participou, quem estava lá e o que foi tratado nessa reunião.

Budel – Participei, sim. Foi num sábado, as 10 horas, após um programa da Rádio Cultura, que fica ao lado do Foztrans. O prefeito havia pedido para eu marcar uma reunião com as empresas que estavam executando as obras de pavimentação do PAC para tratar assuntos diversos, como prazos e compromissos.

(...)

Porciúncola – Na oportunidade o prefeito Reni Pereira solicitou alguma vantagem indevida aos empreiteiros?

Budel – Essa reunião foi marcada com os empreiteiros porque existia um atraso, nós tínhamos recebido uma diligência da CGU, além de acertar o cronograma das obras, na reunião, foi tratado daquilo que tinha sido acordado quando da licitação dessas obras do PAC, feita em 2014 quando eu não era secretário de Obras. Mas foi tratado dos compromissos que tinham sido assumidos. Só que a licitação ocorreu tendo empresas que participaram atravessando. (...) O prefeito fez uma cobrança forte porque as obras estavam atrasadas. E com a vinda da CGU havia cobranças sobre o andamento das obras. Foi tratado, sim, sobre o acerto ocorrido na licitação. O empreiteiro Nilton Beckers coordenava esse trabalho e na ocasião ficou claro e foi explicitado que o Nilton com relação aos compromissos que ele tinha com  os repasses, acertados com o prefeito, a parte dele estaria OK e os representantes das duas outras empreiteiras, ao serem questionados, disseram que não tinham condições porque em função da entrada de outras empreiteiras, houve uma disputa e diminuiu em quase 14 milhões de reais o valor, que o total do PAC  eram 68 milhões e desses valores, 16 milhões era do Sinfoz, o sistema monitorado de sistema de trânsito. Sobraran, portanto 52 milhões e, destes, as empresas não tinham como fazer o repasse.

Porciúncola -  O prefeito cobrou o repasse?

Budel – Foi cobrado, cobrado na mesa, e os empreiteiros se manifestaram.

Porciúncola – O prefeito sugeriu diminuir a qualidade das obras para sair o pagamento dos repasses?

Budel – Não, para diminuir a qualidade não. Falou-se na alteração do volume nas planilhas. Tanto a Sérgio Gaspareto, quanto a Olimpio Rafagnin, por ser um projeto preliminar, quando se começou, ficou comprovado que a quantidade do material utilizado lá seria muito superior. Então, a saída seria trabalhar nos números da planilha.

Porciúncola – Com relação à esse fato, o senhor tem mais a acrescentar?

Budel – Durante a reunião, ficou acertado que as obras teriam de tomar um ritmo maior, e houve essa vinda de fiscalização, o prefeito sentiu a dificuldade porque ali havia compromisso superiores que estavam cobrando e vinham fazendo pressão política indireta para que se cumprissem compromissos que tinham sido acordados, dos quais eu não tenho maiores detalhes porque não participei, mas o prefeito tinha essas dificuldades porque.... todos nós sabemos que qualquer centavo que vem de Brasilia para os quase 6 mil municípios brasileiros, existem compromissos, o dinheiro vem carimbado e tem que ter o retorno disso.

“Todos nós sabemos que qualquer centavo que vem de Brasilia existem compromissos, o dinheiro vem carimbado e tem que ter o retorno disso”.

Porciuncola – Em relação ao contrato de tapa-buracos da empresa Ativa. O senhor foi secretário de Obras durante parte da execução desse contrato. Havia valores a maior nas medições?

Budel – Preciso fazer um parêntesis em relação a SR, do Nilton Beckers. Ele tinha a maior carteira de obras em Foz do Iguaçu. Ele venceu várias licitações e coordenava boa parte desses serviços. O contrato do tapa buracos era por uma das empresas do grupo do Nilton, embora fossem usados equipamentos e funcionários de todas as equipes, tanto da SR, quando da Ativa e da Queiroz que eram empresas deles. Quando eu assumi a secretaria de Obras em 23 de novembro de 2015, havia o compromisso que o tapa buraco de que se daria continuidade no que havia sido combinado na época do Melquizedeque, que era o pagamento da bancada de apoio na Câmara. No tapa buraco, boa parte do que foi repassado durante o período em que estive na secretaria, saiu de medições superfaturadas.

“Boa parte do que foi repassado durante o período em que estive na secretaria, saiu de medições superfaturadas do tapa buracos”.

Porciúncola – O senhor poderia explicar como era essa sistemática?

Budel – É simples, doutor. A secretaria de Obras, além do secretário, a parte de pavimentação tem um diretor. Antes da minha posse a diretoria era ocupada por Girnei que não era uma pessoa da área, então, havia muitos dados que tinham dificuldade em ser acompanhados e fiscalizados. Quando eu assumi a secretaria, o Aires da Silva assumiu a diretoria porque era uma pessoa que eu já conhecia de gestões anteriores, técnico da área que sabia o que estava medindo e certificando. Dai eu passei à ele o que me foi incumbido na reunião com o prefeito, com o Nilton Beckres, onde nós tínhamos de tirar parte dos recursos destinados aos vereadores.  Isso era feito na tapa buraco e obras da SR, Ativa e Queiroz tinham. As demandas que tinham para a manutenção da bancada saiam de alterações nessas medições. Não que fossem diminuídos qualidade dos serviços, eram acrescidos números a mais, volumes a mais daquilo que era medido.

Porciúncula – Feito o pagamento a empreiteira, como o dinheiro retornava ao senhor?

Budel – Primeiro, o acerto foi feito entre eu, o prefeito e o Nilton quando eu assumi.  O Nilton era o coordenador, então aquilo que se precisva, a demanda, era conversado com o Nilton que tinha os engenheiros dele, junto com o Aires, que era o encarregado da planilha, embutia os valores a mais. Os recursos, algumas vezes foram entregues pelo Nilton pra mim, outras vezes pelo Fernando pra mim, outras vezes do Fernando para o Aires, foram vários eventos.

Porciúncola – E o senhor entregava esse dinheiro para quem?

“As vezes os recursos eram repassados para mim pelo Nilton, outras vezes pelo Fernando e ia para os vereadores”

Budel – Esse dinheiro era repassado aos vereadores.

Porciúncola – Tudo isso foi ordenado pelo prefeito Reni ou o senhor fez isso de vontade própria.

Budel – Quando assumi a secretaria de Obras, tivemos aquela reunião com o prefeito e o Nilton. Na ocasião o prefeito tinha uma dificuldade enorme porque a Câmara vinha cobrando e era aquela dificuldade para administrar. Infelizmente o prefeito tinha de assegurar a bancada na Câmara, além dos cargos, que é normal, com os recursos que foram acordados. Isso já foi anterior à minha posse, quando tudo era controlado pelo Melquizedeque. Dai foi dado continuidade e ampliado isso. Esse dinheiro era repassado aos vereadores com a ciência do prefeito, minha, do Aires e do Nilton.

Porciúncola – Segundo a denúncia, no dia 10 de março de 2016, o senhor teria solicitado dinheiro aos empreiteiros Nilton Beckers, Fernando Bijari e Paulo Cesar Barancelli de Araújo. O senhor confirma? Como foram as circunstâncias?

Budel – Dr. Porciúncola, isso se refere ao evento dos 30 mil reais?

Porciúncola – É, dos 30 mil reais.

“Era um sufoco danado porque havia de valores pendentes, uma cobrança dos vereadores, o prefeito numa situação complicada porque era aquele toma-lá-dá-cá”

Budel – Eu fiz o pedido ao Nilton porque ele era o sócio majoritário de todas essas empresas. E havia uma urgência porque nós vínhamos no sufoco, de valores pendentes, daquela cobrança dos vereadores, o prefeito numa situação complicada porque era o toma-lá-dá-cá, pois precisava de uma bancada que desse uma resposta. Havia os atrasos e as cobranças estavam acontecendo. Era sempre na urgência, tanto é que o Fernando Bijari, na sua colaboração premiada, fala que as cobranças eram sempre em cima da hora. Nesse fato específico, eu fiz a cobrança e o Nilton estaria providenciando em São Miguel. Então, eu pedi ao Aires que fosse a São Miguel buscar esses recursos. Ele foi lá, conversou com o Nilton, teve a escuta telefônica e ele recebeu o dinheiro no escritório da Visual, mas não necessariamente do Paulo. Quem determinava a origem era o Nilton.

Porciúncola -  E o senhor Fernando Bijari entregou algum dinheiro em Foz do Iguaçu?

“Em uma oportunidade os empreiteiros me entregaram dinheiro na ponte do Rio Boicy, em outra em frente ao Motel Play Time”

Budel – Em algumas oportunidades entregou para mim. Eu lembro que uma das entregas foi ali na rua Mato Grosso bem  na ponte do Rio Boicy, em outra oportunidade foi na Avenida Costa e Silva,  entre o Hotel Falls Gali e o Motel Play Time.

Porciúncola – Com relação a esses repasses de valores, o senhor tem algo a acrescentar?

Budel – Doutor, todos os valores entraram com o destino de cumprir com os vereadores. Foram entregues do Nilton para mim, teve oportunidades que ele repassou ao prefeito e ele me repassou para chegar ao destinatário...foram em várias formas e em várias ocasiões.

Porciúncula – Havia uma sistemática para receber esse dinheiro, alguma cautela, como era feita a entrega do dinheiro?

“O dinheiro vinha em mochilas, uma vez veio em uma sacola branca, mas era entregue sempre dentro de veículos”

Budel – Todas as entregas com o Nilton foram feitas no carro dele, com o Fernando e com o Aires também. O dinheiro vinha em mochilas, uma vez teve uma sacola branca, mas sempre dentro dos veículos.

Porciúncola – Sempre dinheiro em espécie?

Budel – Sempre dinheiro em espécie.

Porciúncola – Desse valor que o senhor recebeu, ficou com algum porcentual?

“Na delação premiada o Aires disse que pegou 5 mil pra ele e 5 mil pra mim, mas na verdade vieram 8 mil para mim

Budel – O Aires, em sua colaboração, que foi anterior à minha, eu fui de todos os que fizeram a delação, eu fui o penúltimo a assinar o acordo, o Aires colocou lá que num dos recursos que ele pegou da Queiroz, ele teria pego 5 mil reais pra ele e 5 mil pra mim. Na verdade não foram 5, mas 8 mil reais que ele me entregou. Então, doutor, do que veio para mim, foram 8 mil reais.

Porciúncola – Com relação às empresas Iguassu e Labor, pergunto ao senhor, que foi secretário de governo, se essas empresas foram usadas para dar emprego a pessoas indicadas por vereadores?

Budel – (...) Eu era incumbido de controlar a tramitação de projetos na Câmara e o atendimento dessa demanda com os vereadores com relação a indicações, tanto de cargos comissionados CC 2, CC3 e CC4, como também de serviços terceirizados, prestados pelas empreiteiras Iguassu, Labor e mais uma que não recordo agora. Eram empresas que ofereciam merendeiras, auxiliar de serviços gerais e atendentes de creches. E todos esses funcionários, que foram indicados pelos vereadores, foram atendidos. Tinha até uma planilha lá. Era encaminhada a pessoa com o nome e endereço em função da localização da escola, da creche, a equipe colocava o indicado mais próximo de sua residência (...)

Porciúncola – A vereadora Anice tinha indicados?

Budel – Teve um momento que ela era da base de apoio do prefeito, mas depois acabou saindo. Ela teve CCs indicados e indicou junto a Secretaria de Governo funcionários, principalmente para a Labor e Iguasu. Além disso ela tinha indicações diretas porque era do mesmo grupo do PTN e tinha acesso direto às empresas, tanto é que isso, era motivo de cobrança dos vereadores a todo momento que insistiam em saber como ela não era mais da base e tinha muitos indicados nas empresas terceirizadas.

Porciúncola – A empresa Intersept também era utilizada para a mesma finalidade?

Budel – Quando a Interspet ganhou a licitação, nós tínhamos uma demanda grande dos vereadores, todas com posições marcadas. Dai eu entreguei para o secretário de Administração, o Ricardo, que fez chegar a lista à Intersept para eles aproveitarem essas indicações dos vereadores.

“Tinha vereador que se contentava com 10 cargos, outros chegaram a ter 25 indicados” 

Porciúncola – Tinha uma cota para cada vereador?

Budel – Variava muito, de acordo com a insistência. Tinha vereador que se contentava com 10 cargos, outros tinham até 25 indicados.

Porciúncola – O senhor Luiz Pereira, presidente do PTN, tinha alguma ligação com as empresas Labor e Iguassu?

Budel – Eu já conhecia o Luiz antes da Prefeitura. Depois, quando assumir a secretaria de Governo, além das tratativas políticas, tínhamos tratativas comerciais porque ele tinha pendências.

Porciúncola – O senhor teve ciência ou presenciou reuniões do Luiz com o prefeito Reni Pereira?

Budel – Sim, eu estive presente várias vezes, não participando das reuniões, mas nos momentos em que as reuniões aconteceram.

Porciúncola – Qual o papel que o senhor Valter Schroeder Junior exercia na Prefeitura?

Budel – Quando o prefeito me chamou para assumir a Secretaria de Obras, eu fui informado pelo Aires, que o Valter fazia a interface entre os contratos da Prefeitura com o Governo Federal, do Sincofoz, com a Caixa de alimentação de dados, de medições de faturas certificadas, enfim toda a documentação entre Prefeitura, Caixa e Ministérios. (...) Como havia deficiência de funcionários, o Junior é que vinha fazendo esse serviço. O Aires me falou que o pagamento dele era feito por fora.  Então, eu dei autorização para que ele continuasse fazendo o serviço. Ele recebia mil reais das três empresas que faziam obras. Era errado, era, mas precisava do serviço. Além disso, era um rapaz competente.  Quando livrou um cargo de CC 4 no Foztrans, ele foi nomeado para fazer esse serviço.

Porciúncola – Esse fato do Valter Junior trabalhar na Prefeitura e receber dos empreiteiros, era de ciência do prefeito Reni Pereira?

Budel – Era de ciência do prefeito, minha e do pai dele.

Porciúncola – Retomando ao tópico anterior, das indicações nas terceirizadas, isso tinha ciência e o aval do prefeito?

Budel – Era feito com o aval do prefeito. Quando eu assumi, era para fazer isso para atender a demanda dos vereadores que era cobrada com insistência.

Advogado Vitor Augusto Strada – defesa de Reni: Atualmente o senhor tem exercido alguma atividade laboral?

Budel – Atualmente não. Eu estou desempregado e sem salário desde maio de 2016.

Dr Jorge Vicente Silva – advogado de defesa de Reni: Foi sua a iniciativa de fazer a delação premiada?

Budel – Foi iniciativa minha, da minha família e também dos advogados que me defendem nesse processo.

Dr. Jorge – Nas tratativas desta delação, o Ministério Público pediu para delatar determinadas pessoas, ou a veracidade dos fatos?

“Tudo estava no lap-top do Nilton e foi desmoronando tudo, não havia mais nada a assegurar e dai fizemos a delação”

Budel – Eu fui encaminhado coercitivamente no dia 19 de abril. Não fiquei preso, outros ficaram. Tive a prisão preventiva decretada no dia 3 de maio. Quando fui preso, passei a viver junto com os que foram presos naquela primeira etapa.  Uma das pessoas que eu conversei lá, todos no mesmo ambiente, foi com o Nilton Beckers. Ele não me falou detalhes. Mas em determinado momento ele me falou algo que ficou marcado. Ele foi preso perto de Beltrão, e no trajeto até Foz já havia se iniciado o processo de delação. Como tudo estava no lap-top eu deduzi que estava desmoronando tudo. Fiquei um período preso na PF, quando o Melqui desceu, eu desci, os outros continuaram ali. Dias depois houve a transferência do Nilton para São Miguel do Iguaçu, Lá dentro da Penitenciária, dois ou três detentos que já éramos conhecidos, discutíamos como o Nilton havia sido transferido. Já era o acordo de delação premiada. Então, a delação foi crescendo. O Nilton fez, eu fui preso por delação, o (inaudível) fez, o Aires fez (...), nas delações do Rodrigo e do próprio Melqui, tinha fatos relacionados com os que eu participei. O tempo foi passando e quando documentos foram apresentados ao meu advogado, começou a conversa de que os presos que haviam feito a delação, já tinha comprometidos a todos e não havia mais nada a assegurar. Então, a delação foi expontânea. 

Dr Jorge -  Se o senhor não estivesse preso poderia haver modificação na intenção de fazer a deleção, de ter havido outro encaminhamento?

Budel – Doutor, se eu não tivesse preso provavelmente a operação não teria sido deflagrada, porque a minha prisão foi em cima da delação e a delação colocou uma quantidade enorme no processo e foi se avolumando.

Defesa – Eu pergunto se a sua prisão influenciou sua decisão de fazer a delação.

“Fiquei 5 meses preso. Estava se encaminhando para sobrar só pra mim. Não seria justo eu carregar uma cruz onde todos estavam envolvidos. Houve um crime e cada um tem de assumir a sua parte”

Budel – Eu fiquei cinco meses preso, doutor. Influiu quando estava se encaminhando para sobrar grande parte só pra mim em um processo que também foi analisado junto com a família e o advogado. Seria justo eu carregar uma cruz onde todos estavam envolvidos? Foi uma decisão dentro de um contexto. Houve um crime e cada um tem de assumir a sua parte.

Dr. Jorge – O senhor chegou a ler os termos das delações de outros acusados?

Budel – Não. Embora convivendo – porque você conviver com outras pessoas numa cela de 2 x 3 – não compartilhei com cada um, e aliás, havia um sigilo do que foi acordado. Eu me dei conta que o processo andava pela conversa que tive com o Nilton. Não que ele tivesse aberto a delação, mas quando ele falou do lap-top dele e pelo que foi acontecendo, quando fui preso pela delação do Nilton, do Fernando do Wilson, Aires...

Dr. Jorge – Em algum momento o Ministério Público falou que queria provas contra o Reni?

Budel – Em nenhum momento.

Dr. Jorge – O senhor falou em indicação de empregados. O prefeito Reni participava dessa indicação?

Budel – Dizer que o Reni estava na sala comigo e o vereador, não, mas eu assumi a secretaria com o compromisso de resolver, e o prefeito me deu essa incumbência... para manter a bancada menos revoltada possível. O prefeito sabia, até porque quem assina os decretos de nomeação é o prefeito. Muitos vereadores cobravam diretamente do prefeito. 

Dr. Jorge – Foi o depoente que criou esse mensalinho?

Budel – Boa pergunta. O termo mensalinho foi criado na delação do Nilton Beckers e do Aires. E o valor do mensalinho foi criado anteriormente a mim. Os vereadores tinham indicações, principalmente de CCs e o prefeito sabe disso. Tinha indicações de CCs que não correspondiam às necessidades do governo e uma saída antes de eu assumir, foi a substituição de CC2 que dava em média 5 mil reais livres pro indicado, foi substituir os CCs por dinheiro efetivo, esse que era o mensalinho. Essa planilha também tinha caído quando o Melquizedeque foi preso. No celular dele tava lá a planilha de 2 x, um x, e 5 mil reais. O valor foi definido naquela época. Quando eu assumi ela simplesmente foi ampliada.

Advogado de Reni  : Na carceragem da PF o senhor tinha acesso a papel e a caneta?:

Budel – Tinha.

Advogado – O senhor teve acesso aos documentos do processo?

Budel – Tive acesso quando o oficial de justiça, não na PF, nós obtivemos a aos documentos pelo oficial de justiça, um calhamaço deste tamanho, na Penitenciária, depois de ter passado pelo crivo da superintendência da Penitenciária. Todos receberam seus processos lá.

Advogado –O senhor poderia informar se os termos firmados com a Procuradoria da República foram todos tomados na sede da PF?

Budel – A audiência de custódia foi na sede da PF e os termos foram na sala de videoconferência da PF. Com o jurídico ao lado de uma sala da carceragem e com o Ministério Público, meus advogados e com o escrivão e um funcionário que fez a gravação, foi numa sala no andar superior ...

Advogado – Então o senhor confirma, sem exceção, que todos os termos firmados no âmbito de sua delação foram na Polícia Federal?

Budel – Na sala da Polícia Federal.

Advogado – Perfeito. Senhor Budel, o senhor já exerceu quais cargos políticos?

Budel – Fui secretário de Obras de 93 a 96, secretário de Obras de 99 a 2000. Vereador de 2005 a 2012, presidente da Câmara de 2005 a 2010. Secretário de governo na gestão de Reni, superintendente do Foztrans e secretário de Obras.

Advogado – O senhor foi filiado em quais partidos políticos?

Budel – PMDB, PTB e PSDB. 

Advogado – O senhor era amigo de José Carlos Martinez e de Emerson Palmieri?

Budel – Sim.  O Emerson era secretário do PTB nacional e o Martinez era presidente nacional e eu era presidente do partido em Foz.

Advogado – Quais os grupos políticos que o senhor participou ou apoiou em Foz dentro de sua trajetória partidária nesses 30 anos?

Budel – Suscintamente em participei da campanha do Dobrandino, ganhamos a eleição, ele foi prefeito e eu secretário, depois fui secretário do Daijo, embora eu não sei onde o senhor queira chegar com essa pergunta, (...) em 2004 eu trabalhei na formação da Frentona que envolveram vários partidos, inclusive o Reni era deputado e compôs essa frente e elegemos o Paulo Mac Donald prefeito, me elegi vereador e em 2012 apoiei o Reni para prefeito.

Advogado – Na campanha de 2016 o senhor tinha alguma pretensão política?

Budel – Tinha pretensão de ser candidato a vereador.

Advogado – Mas o senhor não estava inelegível?

Budel – Minha inelegibilidade poderia ser questionada em instância superior. 


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