Atualizado 10/01/2018 - 18:00

Rastreamento da PF revela que maioria das armas vem do Paraguai

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Foz do Iguaçu é uma das principais rotas. Armas de grosso calibre são fabricadas nos Estados Unidos, chegam ao Paraguai e abastecem o crime organizado no Brasil

 

Um relatório da Polícia Federal obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de São Paulo, revela que a maior parte das armas que vai parar nas mãos do crime organizado da região sudeste vem do Paraguai.

 

A extensa reportagem foi publicada na edição desta terça (9) do Estadão. O relatório é assinado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, chefe da divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas.

 

O relatório do delegado revela que a PF instaura uma investigação, que faz o caminho inverso ao do tráfico, até chegar às lojas em que as armas apreendidas foram compradas.

 

Segundo os dados, a maioria dos rifles e fuzis que chega ao Brasil é fabricada nos Estados Unidos. Para chegar à essa conclusão a PF fez o rastreamento de 9.879 armas apreendidas. Argentina, Bolívia e Uruguai também são fornecedores.

 

A PF constatou que o tráfico de armas é feito a pedido do crime organizado e que 99% entram no Brasil pelas fronteiras terrestres, sobretudo por Foz do Iguaçu.

 

Segundo o Estadão, o rastreamento começou a ser feito em 2014 com a criação de um centro específico para esse trabalho. A maioria das armas foi rastreada a partir de apreensões no Rio de Janeiro.  “A PF passou a realizar um trabalho de busca de informações e parcerias a respeito de apreensões de armas com os Estados. Antes rastreávamos apenas as armas que a PF apreendia. Agora buscamos rastrear todas e vamos atrás da origem delas”, explica o delegado. 

 

O relatório da PF mostra que as principais rotas terrestres começa em lojas fronteiriças do Paraguai, passando pelo Paraná ou por Mato Grosso do Sul, para depois serem distribuídas em São Paulo e Rio de Janeiro.

 

O delegado explicou que os grupos criminosos utilizam as armas para proteção de áreas de tráfico de drogas e até aluguel para outras facções para a prática de roubo a bancos, cargas e valores.

 

A reportagem cita que entre sábado (6) e segunda (8), três agências do Banco Santander foram assaltadas por gangues do Rio de Janeiro. Em dois casos, os bandidos usaram armamento pesado de fabricação norte-americana.

 

Além da Tríplice Fronteira o tráfico de armas ocorre em Ponta Porã (MS) na divisa com Pedro Juan Caballero, Guaíra (PR), na divisa com Salto del Guará, Corumbá (MS), divisa com Porto Suarez (BO) e Santana do Livramento, na divisa com Rivera (URU). Também são citadas as fronteiras internacionais com Rondônia e Amazonas.

 

Mercosul

O delegado Luiz Flávio Zampronha diz quem além de melhorar a fiscalização nas fronteiras, o Brasil precisa de uma atuação mais integrada com os países do Mercosul para combater o crime de tráfico de armas.

 

Zampronha entende que é preciso punir também os fornecedores de armas. “Não é suficiente o trabalho na fronteira. A investigação tem de envolver as duas pontas, a vendedora e a compradora. Por isso a importância de criar e aprofundar canais de cooperação entre os países do Mercosul”, defende o delegado.  

 

Para expandir essa cooperação o Zampronha diz que é preciso a estruturação de um sistema informatizado de controle de armas nesses países, a instauração de ofício para apurar as circunstâncias da saída de armas dos territórios e aumento do controle sobre armas importadas e revendidas.

 

Armas apreendidas recentemente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro

Foto divulgação: PCRJ


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